Nel Meirelles por
Nel Meirelles. Nascido em Pernambuco, criado pelo mundo afora. Esse sou eu. O resultado exato do que vivi.

fiz do ato de escrever a ponta do meu iceberguezinho particular. descasco as palavras sem piedade. cavo e recavo e revolvo a poesia que vejo nas coisas e faço dela não a inquietude ou o caos, mas a ordenação do meu próprio ato de viver.

dimensão

nos meus espaços finitos

convivem infinitos espaços


Telescópio - Nel Meirelles


Aliás - Revista de Cultura - Elaine Pauvolid
Blocos Online - Leila Miccolis
PD Literatura - Asta Vozondas






Segunda-feira, Agosto 30, 2004

peregrino

tantas cascas
habitei
e descubro
minha pousada
no fim
do teu horizonte


concerto

persisto
nos meus
silencios
de te sonhar
em sons
e te ouvir
de mim


:: Postado Por Nel Meirelles :: 9:48 AM.:.

Domingo, Agosto 29, 2004

agradecimento

quero agradecer à poetisa Sol de Inverno pela publicação do meu noturno III no seu blog, Poesia no Inverno. um presente de domingo que me deixou feliz.



:: Postado Por Nel Meirelles :: 2:09 PM.:.

Sábado, Agosto 28, 2004

um pequeno trio, para um sábado não tão curto assim.

mini-noturno

esculpo noturnos
na boca do dia

a noite não tem medo
de se saber poesia


sexta chuva

as gotas
da chuva
soltas
na noite
arrastam
tua presença
até meu chão


íntimo

risco-me
de sangue
na manhã

- navalha
cega de vida


:: Postado Por Nel Meirelles :: 11:02 AM.:.

Sexta-feira, Agosto 27, 2004

hoje acordei sol. não, não deserdei as estrelas. apenas tornei uma delas mais próxima. e me aqueço.

do amor

que seja
lágrima
incontida
mas destile
vida


dominus

sacro e profano
vivo teu mistério

tua ferida aberta
é o bálsamo que me cura

tua lua impossível
é provavel em mim


:: Postado Por Nel Meirelles :: 7:25 AM.:.

Quarta-feira, Agosto 25, 2004

noturno III

embrulho as estrelas
porque a noite
é colchão dos sonhos
pendurados nos varais
dos meus olhos
adormecidos

rasgo a noite
como pedaço
de rio
que despudoradamente
lambe as pernas
da lua
quando o brilho
não basta

me faço logo canção,
que a curva da boca
esconde a ponta
da maré cheia
que ainda vou sonhar


:: Postado Por Nel Meirelles :: 8:04 AM.:.

Terça-feira, Agosto 24, 2004

noturno VI

sou a antítese
da imensidão
(um punhado
de orvalho de luz)

cravo mais uma
estrela
no leito insone
onde persisto

me consumo
no brilho
de amor

: infinito


:: Postado Por Nel Meirelles :: 10:20 AM.:.

Segunda-feira, Agosto 23, 2004

morfologia

a lâmina das tuas
palavras tortas
arrasta
- impiedosamente -
meu sonho aprendiz

( feito gotejar de ser feliz)


(ter amigos é estar sempre recebendo gestos de carinho. Desta feita foi a Maria Ester Torinho, do Verso e Reverso, quem me deu a alegria de ver alguns dos meus escritos publicados em seu site. A ela, meu agradecimento e meu beijo.)

:: Postado Por Nel Meirelles :: 7:35 AM.:.

Sábado, Agosto 21, 2004

noturno VIII

(uma metade
de mim
fecundou
as estrelas

a outra
ficou
inerte
entre as
tuas luas)


:: Postado Por Nel Meirelles :: 11:50 AM.:.

Sexta-feira, Agosto 20, 2004

noturno X
(do querer)

quero o subúrbio
das estrelas
que deixei
na tua boca

quero sangrar
os horizontes
que meus lábios
desbravaram
nas noites brandas
do teu sorriso

quero
os últimos
pedaços de sonhos
antes de adormecer
menino
de novo


:: Postado Por Nel Meirelles :: 1:24 AM.:.

Quinta-feira, Agosto 19, 2004

infinitesimal

parto
que é hora
de nascerem escadas

de dar luz às planícies
virgens do horizonte

de redimir as águas claras
dos lagos
que não dançam
mais com o mar

de parir a partida
das cinzas
do útero doloroso

parto sabendo
que a vida é
pólen de sereno
fecundando
as flores das estrelas
de verão

(sempre
o começo
de renascer)


:: Postado Por Nel Meirelles :: 9:22 AM.:.

Quarta-feira, Agosto 18, 2004

noturno II

a noite é agulha
quando borrifo poesia
nas luas de virada

o desejo
me perfura
mansamente
(em vão)

:: Postado Por Nel Meirelles :: 8:08 AM.:.

Terça-feira, Agosto 17, 2004

Agradecimentos

Meus agradecimentos aos poetas e blogs que recentemente publicaram poemas meus: Moacy Cirne (balaio vermelho) ; Cristiano Silva, (Quintessencia); Maiara Gouvea (Maiarolândia). Todos excelentes poetas. Minha honra é aumentada por isto.

Lu Cavichioli e Carla Vignatti gentilmente me convidaram a assinar uma coluna no site Poemias e lá está a Piruetas. A elas o agradecimento pela confiança na minha (in)capacidade de escrever prosa. O site, evidentemente, é muito mais e muito maior do que a minha coluna. Vale a visita.

Hoje volto aos curtos, que tanto gosto de escrever.

simbiose

a lágrima
vive
dos meus olhos


ferrugem

mancha
na faca
cravada
no meu peito
: teu batom


tatuagem

tua mão
- tatuagem
na minha nuca


pressa

o tempo
escoa
a minha
impaciência

(nunca demorei
tanto
para viver)


:: Postado Por Nel Meirelles :: 8:15 AM.:.

Segunda-feira, Agosto 16, 2004

noturno I

aprendi com a noite
os mistérios
das estrelas
do meu peito

aprendi que cometas
sangram rastros de sustenidos
quando pousam
na gaiola azul
adormecida atrás
das pálpebras
onde bebo meus sonos
e sonhos

aprendi isto tudo:
motivo para ser
mais síntese que
a fantasia de lembranças
perdidas nos vazios
espaços
escuros
de Capela
que um dia habitaram
a estante do quarto

aprendi o oposto
da área de serviço do universo
que profana
diariamente
o profundo de mim


:: Postado Por Nel Meirelles :: 1:16 PM.:.

Domingo, Agosto 15, 2004

tempestade

tudo
em chuva grande:

um micróbio
acontece
preguiçosamente
no acalanto
do meu
patético
intestino

o gozo
permanece
faminto
nos meus olhos
de te capinar



:: Postado Por Nel Meirelles :: 6:58 PM.:.

Sábado, Agosto 14, 2004

sou o sorvo final da nuvem esparsa do poente. sou pedaço de tudo que resta quando ainda nem terminou. não quero ser ouvido senão pela minha própria impaciência de viver. e a poesia dá de beber à minha santa loucura.

noturno XII

minhas feridas
incultas
anoitecem ainda
atrás
do quinto planeta
da nona constelação

minhas feridas
abertas
jorram vazios
sonhos
nos olhos turvos
da janela do quarto
da frente

(incongruente
este parto
de dor)

e
existo


:: Postado Por Nel Meirelles :: 4:49 PM.:.

Sexta-feira, Agosto 13, 2004

cigarras

arrasto lentamente
o silêncio
das cigarras
que não se atrevem
na casca
onde sou
árvore

busco sombra
no instante
da folha caída
impiedosa
dos meus dedos

nada de restar:
apenas (des)fazer


:: Postado Por Nel Meirelles :: 7:50 AM.:.

Quinta-feira, Agosto 12, 2004

Noturno XXIV

as pegadas largas
puseram-se nas poças
do sangue das borboletas
assassinadas no domingo

nem eram estrelas ocas:
somei minha boca às bocas
famintas de poesia
na névoa avermelhada
de batom da mulher

desconstruí meu muro
anoitecido de ti


:: Postado Por Nel Meirelles :: 8:20 AM.:.

Quarta-feira, Agosto 11, 2004

caleidoscópio

a manhãzinha
é feito ladeira
de pedra
que formiga
nos meus olhos

sou polifônico
de palavras e sopros
do sol de agora

(a música verdeja
lá fora)


:: Postado Por Nel Meirelles :: 8:01 AM.:.

Terça-feira, Agosto 10, 2004

teus olhos são pedaços de horizonte que esquecestes de devolver à natureza, quando do último olhar antes do anoitecer.


Noturno XXIII

vou sair
pelas estrelas
que ainda não nasceram
e correr vagalumes
de asfalto

vou beber tonéis
de ruas desertas
e valsar pelos
saltos altos das madrugadas
vestidas a rigor

vou sair
e teu sorriso vai comigo
(companheiro inconstante
do meu silêncio)


:: Postado Por Nel Meirelles :: 8:47 AM.:.

Segunda-feira, Agosto 09, 2004

G#

cortei de novo
os meios-fios
da rua molhada
pelos raios
da lua de sexta-feira

me fiz poema

:: Postado Por Nel Meirelles :: 9:35 AM.:.

Domingo, Agosto 08, 2004

homo sapiens

poeta suburbano
esvaziado de destinos
ando com imensidões
pinceladas nos
meus espaços finitos

não tenho teias definidas
: sou tão apenas
incomensuravelmente
humano


:: Postado Por Nel Meirelles :: 3:50 PM.:.

Sábado, Agosto 07, 2004

quando estou, saio de perto do papel. respiro uns respingos de lua, bebo uns goles de pio de canário da terra, muitas vezes lavo o rosto com sabão de horizontes ou de beiras de praias. assim me consumo.

aquífero

eu
poço

você
fonte

a poesia
nossa ponte
se crava

escrava
em nós


garimpo

manhã
de Copacabana

os garis
recolhem
os estragos
do meu coração

(os que o mar
não levou)


:: Postado Por Nel Meirelles :: 1:09 PM.:.

Sexta-feira, Agosto 06, 2004

catilinária
 
meu dedos
derreteram-se
sobre a mesa
de anteontem
 
tentei ainda pregar
as palavras no céu da boca
com os pregos de Murilo
 
nem deu
 
só restou mesmo
o cri-cri daquele
                 grilo


:: Postado Por Nel Meirelles :: 9:20 AM.:.

Quinta-feira, Agosto 05, 2004

zangarreio

por isto,
porque és,
me desvisto da minha pele
e calço a tua pele

e estando assim vestido
como artífice imperfeito
do verbo do quase ser
me atrevo a te murmurar
e te respiro nas madrugadas
que fabricamos
       de poesia


:: Postado Por Nel Meirelles :: 10:21 AM.:.

Terça-feira, Agosto 03, 2004

e depois que a chuva plantou as últimas gotas no verde-cinza da praia, ainda restou o hálito de sábado na boca do arco-íris desmaiado por trás da minhas telhas.

descompassado

teus passos
apressados
deixam
sozinhos
os tec-tec
dos teus
sapatos
nos

pa ra le le
pí pe dos

meus olhos


:: Postado Por Nel Meirelles :: 10:22 AM.:.

Segunda-feira, Agosto 02, 2004

de permeio

sangro minhas
sereias
quando me corto
as veias
por entre
os cometas
solitários de verão

como eu :
sem
(com)paixão


corticóide

o silêncio
do teu olhar
fecunda
minha
boca


lázaro

eu morrendo
talvez renasça
como antes
de mim


:: Postado Por Nel Meirelles :: 3:49 PM.:.

Domingo, Agosto 01, 2004

poema

grãos de
luz nascidos
das loucas minhas
noites brancas

(curral
das estrelas
que ordenhei
de sonhos)


tpm

tua
poesia
morna


depois

úmida
flor
incandescente
que colho
antes
de mim


:: Postado Por Nel Meirelles :: 10:40 AM.:.