Agradecimentos
Meus agradecimentos aos poetas e blogs que recentemente publicaram poemas meus:
Moacy Cirne (
balaio vermelho) ;
Cristiano Silva, (
Quintessencia);
Maiara Gouvea (
Maiarolândia). Todos excelentes poetas. Minha honra é aumentada por isto.
Lu Cavichioli e
Carla Vignatti gentilmente me convidaram a assinar uma coluna no site
Poemias e lá está a
Piruetas. A elas o agradecimento pela confiança na minha (in)capacidade de escrever prosa. O site, evidentemente, é muito mais e muito maior do que a minha coluna. Vale a visita.
Hoje volto aos curtos, que tanto gosto de escrever.
simbiose
a lágrima
vive
dos meus olhos
ferrugem
mancha
na faca
cravada
no meu peito
: teu batom
tatuagem
tua mão
- tatuagem
na minha nuca
pressa
o tempo
escoa
a minha
impaciência
(nunca demorei
tanto
para viver)
:: Postado Por
Nel Meirelles
::
8:15 AM.:.
noturno I
aprendi com a noite
os mistérios
das estrelas
do meu peito
aprendi que cometas
sangram rastros de sustenidos
quando pousam
na gaiola azul
adormecida atrás
das pálpebras
onde bebo meus sonos
e sonhos
aprendi isto tudo:
motivo para ser
mais síntese que
a fantasia de lembranças
perdidas nos vazios
espaços
escuros
de Capela
que um dia habitaram
a estante do quarto
aprendi o oposto
da área de serviço do universo
que profana
diariamente
o profundo de mim
:: Postado Por
Nel Meirelles
::
1:16 PM.:.
Domingo, Agosto 15, 2004
tempestade
tudo
em chuva grande:
um micróbio
acontece
preguiçosamente
no acalanto
do meu
patético
intestino
o gozo
permanece
faminto
nos meus olhos
de te capinar
:: Postado Por
Nel Meirelles
::
6:58 PM.:.
Sábado, Agosto 14, 2004
sou o sorvo final da nuvem esparsa do poente. sou pedaço de tudo que resta quando ainda nem terminou. não quero ser ouvido senão pela minha própria impaciência de viver. e a poesia dá de beber à minha santa loucura.
noturno XII
minhas feridas
incultas
anoitecem ainda
atrás
do quinto planeta
da nona constelação
minhas feridas
abertas
jorram vazios
sonhos
nos olhos turvos
da janela do quarto
da frente
(incongruente
este parto
de dor)
e
existo
:: Postado Por
Nel Meirelles
::
4:49 PM.:.
Sexta-feira, Agosto 13, 2004
cigarras
arrasto lentamente
o silêncio
das cigarras
que não se atrevem
na casca
onde sou
árvore
busco sombra
no instante
da folha caída
impiedosa
dos meus dedos
nada de restar:
apenas (des)fazer
:: Postado Por
Nel Meirelles
::
7:50 AM.:.
Quinta-feira, Agosto 12, 2004
Noturno XXIV
as pegadas largas
puseram-se nas poças
do sangue das borboletas
assassinadas no domingo
nem eram estrelas ocas:
somei minha boca às bocas
famintas de poesia
na névoa avermelhada
de batom da mulher
desconstruí meu muro
anoitecido de ti
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Nel Meirelles
::
8:20 AM.:.
Quarta-feira, Agosto 11, 2004
caleidoscópio
a manhãzinha
é feito ladeira
de pedra
que formiga
nos meus olhos
sou polifônico
de palavras e sopros
do sol de agora
(a música verdeja
lá fora)
:: Postado Por
Nel Meirelles
::
8:01 AM.:.
Terça-feira, Agosto 10, 2004
teus olhos são pedaços de horizonte que esquecestes de devolver à natureza, quando do último olhar antes do anoitecer.
Noturno XXIII
vou sair
pelas estrelas
que ainda não nasceram
e correr vagalumes
de asfalto
vou beber tonéis
de ruas desertas
e valsar pelos
saltos altos das madrugadas
vestidas a rigor
vou sair
e teu sorriso vai comigo
(companheiro inconstante
do meu silêncio)
:: Postado Por
Nel Meirelles
::
8:47 AM.:.
Segunda-feira, Agosto 09, 2004
G#
cortei de novo
os meios-fios
da rua molhada
pelos raios
da lua de sexta-feira
me fiz poema
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Nel Meirelles
::
9:35 AM.:.
Domingo, Agosto 08, 2004
homo sapiens
poeta suburbano
esvaziado de destinos
ando com imensidões
pinceladas nos
meus espaços finitos
não tenho teias definidas
: sou tão apenas
incomensuravelmente
humano
:: Postado Por
Nel Meirelles
::
3:50 PM.:.
Sábado, Agosto 07, 2004
quando estou, saio de perto do papel. respiro uns respingos de lua, bebo uns goles de pio de canário da terra, muitas vezes lavo o rosto com sabão de horizontes ou de beiras de praias. assim me consumo.
aquífero
eu
poço
você
fonte
a poesia
nossa ponte
se crava
escrava
em nós
garimpo
manhã
de Copacabana
os garis
recolhem
os estragos
do meu coração
(os que o mar
não levou)
:: Postado Por
Nel Meirelles
::
1:09 PM.:.
Sexta-feira, Agosto 06, 2004
catilinária
meu dedos
derreteram-se
sobre a mesa
de anteontem
tentei ainda pregar
as palavras no céu da boca
com os pregos de Murilo
nem deu
só restou mesmo
o cri-cri daquele
grilo
:: Postado Por
Nel Meirelles
::
9:20 AM.:.
Quinta-feira, Agosto 05, 2004
zangarreio
por isto,
porque és,
me desvisto da
minha pele
e calço a tua pele
e estando assim vestido
como artífice imperfeito
do verbo do quase ser
me atrevo a te murmurar
e
te respiro nas madrugadas
que fabricamos
de poesia
:: Postado Por
Nel Meirelles
::
10:21 AM.:.
Terça-feira, Agosto 03, 2004
e depois que a chuva plantou as últimas gotas no verde-cinza da praia, ainda restou o hálito de sábado na boca do arco-íris desmaiado por trás da minhas telhas.
descompassado
teus passos
apressados
deixam
sozinhos
os tec-tec
dos teus
sapatos
nos
pa ra le le
pí pe dos
meus olhos
:: Postado Por
Nel Meirelles
::
10:22 AM.:.
Segunda-feira, Agosto 02, 2004
de permeio
sangro minhas
sereias
quando me corto
as veias
por entre
os cometas
solitários de verão
como eu :
sem
(com)paixão
corticóide
o silêncio
do teu olhar
fecunda
minha
boca
lázaro
eu morrendo
talvez renasça
como antes
de mim
:: Postado Por
Nel Meirelles
::
3:49 PM.:.
Domingo, Agosto 01, 2004
poema
grãos de
luz nascidos
das loucas minhas
noites brancas
(curral
das estrelas
que ordenhei
de sonhos)
tpm
tua
poesia
morna
depois
úmida
flor
incandescente
que colho
antes
de mim
:: Postado Por
Nel Meirelles
::
10:40 AM.:.