Nel Meirelles por
Nel Meirelles. Nascido em Pernambuco, criado pelo mundo afora. Esse sou eu. O resultado exato do que vivi.

fiz do ato de escrever a ponta do meu iceberguezinho particular. descasco as palavras sem piedade. cavo e recavo e revolvo a poesia que vejo nas coisas e faço dela não a inquietude ou o caos, mas a ordenação do meu próprio ato de viver.

dimensão

nos meus espaços finitos

convivem infinitos espaços


Telescópio - Nel Meirelles


Aliás - Revista de Cultura - Elaine Pauvolid
Blocos Online - Leila Miccolis
PD Literatura - Asta Vozondas






Quarta-feira, Setembro 29, 2004

partenogênese

no canto da sala
a sombra azulada
de um vestido

caldeira onde me fundo
com as sombras
das quais fui parido


:: Postado Por Nel Meirelles :: 5:50 PM.:.

Terça-feira, Setembro 28, 2004

esfinge

quando me ponho
nos teus enigmas
e segredos
esqueço as rotas
do universo
que sobrevive
inútil
além dos limites
das nossas peles


:: Postado Por Nel Meirelles :: 3:49 PM.:.


Uma notinha:

Quero me desculpar por não estar tendo tempo de comentar nos blogs dos amigos que me prestigiam aqui diariamente.

Minha agenda de trabalho está mais do que apertada, mas sempre dou um jeitinho de ler vocês e me deliciar com os textos e poemas tão fantásticos que vocês produzem.

Espero poder voltar à minha rotina normal de trabalho em meados de Outubro.

Aproveito para agradecer ao meu amigo Moacy Cirne pela honra que me deu de publicar mais um poema meu no Balaio Vermelho. Um abraço, meu caro!

Obrigado a todos.

Nel


:: Postado Por Nel Meirelles :: 3:38 PM.:.

Segunda-feira, Setembro 27, 2004

cantiga de ninar

abre teus olhos
com os meus

desmancha tua boca
em mim

desencaminha
meu sorriso

me reconstrói
menino sem juizo



:: Postado Por Nel Meirelles :: 6:18 PM.:.

Sábado, Setembro 25, 2004

in extremis

tua vulva
- refúgio noturno da minha língua

meu falo
- oração diária da tua boca

(nós dois vivendo à míngua)




:: Postado Por Nel Meirelles :: 9:27 AM.:.

Terça-feira, Setembro 21, 2004

convexo

espalho esporos
e rastros
pelos cantos
do espelho

na nuca
- talvez -
o cheiro
do jazz (mim)

porque amor
é todo
o espaço
curvo
que resiste
entre
o não
e o sim


:: Postado Por Nel Meirelles :: 11:30 PM.:.

Domingo, Setembro 19, 2004

samba enredo

quis me fazer
meandros de sedas
e recastigar
os fios de cabelo

quis molhar o vento
de meu cheiro
e deixar meus pés
virarem vienenses

escondi a solidão
da gaveta na cômoda
tentei outro cadeado

- em vão -

virei tampa de meio-fio
sem o tempo das sete e meia
e me acabei com
o the end
de uma novela qualquer
na tv de 29 polegadas
rindo no canto da sala




:: Postado Por Nel Meirelles :: 1:15 PM.:.

Sexta-feira, Setembro 17, 2004

fases

sem cheiro
de estrelas
adormeço

lua-deserta
em
quarto-vazio


:: Postado Por Nel Meirelles :: 7:57 AM.:.

Quarta-feira, Setembro 15, 2004

adicto

minha anatomia
perdeu meu coração
quando teu sorriso
surgiu


brinde

tua boca
é a taça
de beber
as loucuras
da minha boca
devassa


entradas e bandeiras

descalço os
meus caminhos
nas trilhas
dos teus poros
abertos
nas manhãs
de abril


:: Postado Por Nel Meirelles :: 9:59 AM.:.

Terça-feira, Setembro 14, 2004

avassaladora

meus lábios
represam teu olhar
e constroem das águas
que amanhecem
nos meus rios
a canção do teu sorriso

- descaradamente -



:: Postado Por Nel Meirelles :: 7:59 AM.:.

Segunda-feira, Setembro 13, 2004

noturno VII

nas estrelas
nas luas
nas madrugadas
(onde sou quase dia)
desabrigo
a minha poesia

em ti e em mim
retrato
o todo da noite
da tua boca


:: Postado Por Nel Meirelles :: 11:19 AM.:.

Domingo, Setembro 12, 2004

grito

se vens desnuda
da sanidade
do já vivido

ou se vens perdida
nos versos mudos
onde já estou perdido

se esta minha paixão é louca
destroça-me com tua boca
que preciso da vida
que jorra de nós dois


:: Postado Por Nel Meirelles :: 12:13 PM.:.

Sexta-feira, Setembro 10, 2004

noturno IV

esparramo
as luas arredias
que escondidas
no meu caminho
lambiscam
meus versos

rego de sonhos
as nuvens
de anoitecer
que meu canto
não cabe em qualquer
canto da canção

(as estrelas
ainda me ouvem)



:: Postado Por Nel Meirelles :: 9:18 AM.:.

Quinta-feira, Setembro 09, 2004

sinergia

meu desejo
se nutre
da tua
amplidão


portrait

parido nas estrelas
forjado nas entranhas
das mulheres loucas
em cujas bocas
ousei existir um dia
sou o rebento do nada


:: Postado Por Nel Meirelles :: 8:21 AM.:.

Quarta-feira, Setembro 08, 2004

noturno V

a madrugada
desbota
no meu sono

raspo o que resta
de luz do dia

escrevo

que a lua
que não veio hoje
fervilhar
em meu sonho antigo

que a noite é perigo
e a escuridão me assusta


:: Postado Por Nel Meirelles :: 9:14 AM.:.

Sábado, Setembro 04, 2004

boca

meus sonhos
cabem
inexoravelmente
na tua boca

tua boca
cabe
indelevelmente
nos meus sonhos


:: Postado Por Nel Meirelles :: 11:35 AM.:.

Sexta-feira, Setembro 03, 2004

insensatez

me faz pão
se isto te alimenta

me faz carne
se isto nos sustenta

só não me deixa
sem saber quem sou


primário

sem caçada
de vontade:

onde cai
palavra
brota água


:: Postado Por Nel Meirelles :: 6:57 AM.:.

Quinta-feira, Setembro 02, 2004

3 x 4

colecionador
de arco-íris
sou caos
em ebulição

- sou a raspa
do poema torto
que ainda
não escrevi -


:: Postado Por Nel Meirelles :: 7:25 AM.:.

Quarta-feira, Setembro 01, 2004

prova

duas estrelas
que se anunciaram
hoje de manhã

duas petalas
de flor de romã

duas dúzias
de curvas de rio

um passarinho
sonhando no fio

some-se tudo
(noves fora)
: tu


valsinha verde

se fosse poema
que brotasse
que nem rapariga
no chão
seria assim:

a valsa
turca em mim


:: Postado Por Nel Meirelles :: 7:37 AM.:.