postado ao som de La vie en Rose, com Edith Piaf
marcas e passos
estou exausto. percebo que os passos que caminhei sempre me trouxeram de volta ao início da trilha, quando deveriam me levar além de mim. o meu cansaço se espalha pelos meus músculos, dedos, pés e poemas. melhor dormir e deixar a vida escorrer como quiser. o sonho eu deixo encostado em qualquer ponto da estrada..
exílio
eu navegador solitário
por entre as curvas pedras
do rio com meus pés
plenos de musgos e danças
desastrado em icebergues
marrons
sou peixe em fuga
alevino assassinado
língua em fogo
epístola que não vem
espanto do nascimento
sou o contraponto
de todo sonho
sou verso inacabado
soneto imperfeito
arrebentado em lua cheia
me exilo no poema
como anêmona submersa
nos labirintos de maré cheia
e deixo uma ponte fecundada
entre meus dedos e a poesia
dica cultural
Casa de Cultura Mario Quintana - Porto Alegre
Uma cidade tem uma rua que sai da praia mansa de um lago. Nessa Rua da Praia sempre existiu um tenro fogo cultural, desde que os ventos dos idos tempos avivavam sua chama, pela Rua dos Cataventos, até a história do poeta Mário Quintana.
Há esse canto, esse pedaço de cultura viva. Há a poesia de Quintana, imortal. Há a necessidade preservar os nossos valores, a nossa memória. E há a necessidade de, estando em Porto Alegre, visitar o lugar:
Casa de Cultura Mario Quintana
Rua dos Andradas, 736 - Centro
CEP 90020-004 / Porto Alegre (RS)
:: Postado Por
Nel Meirelles
::
1:44 PM.:.
postado na surdez do calor
dilúvio
ando com passos cada vez mais silentes. por mais que eu galope, o chão não se move. esquecer que existe o mundo é tarefa de desfazer. resta a poesia, que não se mexe mais todos os dias. mas sempre volta. e sempre me encontra aqui, objeto e posse dela. nem que seja como agora, espaçado no tempo.
pedra solta
deito meus cabelos na janela
e espalho teus pensamentos
no céu claro de fevereiro
as palavras eu despejo
nos bolsos da minha calça preta
ajeito duas ou três rimas
na beirada da taça vazia
meço a distância entre meu olho
e a beirada do horizonte
e me despeço com ar de voltar
um dia
olheiras
há o meu olho no branco da menina
molhada de água virgem
há rios que deixam de ser
morada dos peixes
e se vestem de curvos
vestígios de mar
há a poesia
esta ainda nada
no círculo vazio
dos meus vazios
dedos
:: Postado Por
Nel Meirelles
::
4:21 PM.:.
Terça-feira, Março 01, 2005
postado ao som de My Funny Valentine , com Marvin Gaye
arabesque
são estreitos os caminhos
da tua pele
onde murmuram os pequenos
riachos que entre os poros
despedaçam pedaços de sonhos
ouverture
minhas dores estavam
escondidas entre os esqueletos
no inverno de nova iorque
havia a multidão surda
que bailava em flocos
no central park
e eu era o tudo
até encontrar na neve
a rosa de sangue de John
que perfurou os meus olhos perplexos
curvas
muitas vezes, quando me debrucei nas dobras da poesia, fiquei encravado nas faces que descobri. em cada uma, fui a sobra dos mundos que vivi enquanto esperava a circunstância de ser segundo o que fui. e sempre ressuscitei em cada palavra.
:: Postado Por
Nel Meirelles
::
9:09 PM.:.