Nel Meirelles por
Nel Meirelles. Nascido em Pernambuco, criado pelo mundo afora. Esse sou eu. O resultado exato do que vivi.

fiz do ato de escrever a ponta do meu iceberguezinho particular. descasco as palavras sem piedade. cavo e recavo e revolvo a poesia que vejo nas coisas e faço dela não a inquietude ou o caos, mas a ordenação do meu próprio ato de viver.

dimensão

nos meus espaços finitos

convivem infinitos espaços


Telescópio - Nel Meirelles


Aliás - Revista de Cultura - Elaine Pauvolid
Blocos Online - Leila Miccolis
PD Literatura - Asta Vozondas






Sexta-feira, Abril 29, 2005

postado ao som de Trenzinho Caipira, com Edu Lobo


processo
teu verso
ou
teu reverso?


fantasia
içá cutuca o furo
e voa da terra
: jabuticaba
cuspida no céu


epitáfio
jazem neste poema
um medo que vinha
e um grito que ia
(crivados de poesia)


PUBLICAÇÕES-
- os meus agradecimentos ao poeta Ricardo Mainieri, que me publicou no seu blog, Mainieri´s. vale visitar e conhecer o trabalho deste excelente poeta gaúcho, um dos melhores que conheço.

- o PD Literatura, edição de maio/2005, traz alguns poemas meus.


RECOMENDAÇÃO
descubro mais um blog de alta qualidade, nesse universo infinito da poesia. cheguei até ele através do Mainieri e na primeira leitura fiquei fã da poetriz (como ela se suto-denomina) Valéria Tarelho. quero compartilhar com vocês , meus amigos e leitores, o prazer que tive ao ler os poemas dela, uma mistura de cáustico e doce que surpreende. o blog se chama Textura.


:: Postado Por Nel Meirelles :: 10:05 AM.:.

Quarta-feira, Abril 27, 2005

postado ao som de Choro Triste, com Oficina de Cordas de Pernambuco (presente do meu amigo Manoel carlos, de Agreste)


sub america
fito y mercedes
caetano y gardel
son las puntas
de un mismo lazo
que se prende al corazón
de las américas
marcadas por los muertos
de todos los mayos
por los muertos
de los tempranos marzos

cada uno em su tierra
y cada uno un todo
de todos los lazos
donde se prende
la libertad
soñada por los dedos
de los que aún
hacen de la poesia
la canción eterna
de lucha


desatino
(minha boca
desiste
- não existe
sem a
tua)


noturno enluarado de uma manhã de frio
nas tuas teias
meu corpo
se enreda
de luas cheias


:: Postado Por Nel Meirelles :: 5:20 PM.:.

Terça-feira, Abril 26, 2005

postado ao som de We'll Find a Way, com a Grimethorpe Colliery Band

O COMPLÔ
(da série ainda vou escrever uma crônica bacana)

Virou moda alguns sites exigirem uma confirmação de autenticidade e me pedirem para digitar uma seqüência de letras e números. Ou eu sou cego ou isto existe para me irritar. Porque digito certinho, com todo cuidado, letra por letra, número por número. Confiro reconfiro e finalmente - confiante - clico no famoso botão "enviar". Para minha surpresa e irritação, sou sempre informado que digitei errado e aparece uma nova seqüência, maior, mais complexa. Sou teimoso como um jegue, talvez por conta da minha origem nordestina, e tento outra vez. Pronto! Errado de novo!

Desconfiado que um vírus maligno tivesse se apoderado do meu computador, consultei meus gurus informáticos. Com aquele ar professoral e ironicamente piedoso diante de alguém tão incapaz quanto eu, eles esmiuçaram detalhadamente meus programas, a minha conexão e nada encontraram de errado.

Não desisti, que não sou besta. Fui ao terreiro do Pai Gueites de Oguindous e pedi um trabalho poderoso para acabar com a praga. Deixei sete mouses pretos e doze cabos paralelos em uma esquina, em noite de lua cheia. Nada. As forças do além foram incapazes de resolver o problema.

Concluí que há um complô em curso contra mim. Por algum desses caprichos de terroristas árabes ou terroristas da CIA (sabe-se lá qual dos dois...), está estabelecido nos sistemas de informática do mundo que eu, Nel Meirelles, vou receber sempre uma mensagem de erro ao tentar digitar as tais confirmações.

Agora, para meu desespero, essa moda veio para o mundo dos blogs. Alguns sistemas de comentários aderiram a esse plano mundial de me desestabilizar emocionalmente. Visito os blogs dos amigos e ao tentar comentar, lá vem a tal da confirmação. Desisto. Se tenho o endereço eletrônico da pessoa, mando meu comentário via e-mail; do contrário, faço uma oração para o santo protetor dos blogs para que mantenha a inspiração e a lucidez daquela pessoa.

Confesso aqui, publicamente, a minha incapacidade crônica de conviver com essas janelas irritantes de confirmação.

Por isso, de hoje em diante, não confirmo mais nada em lugar nenhum. Recuso-me até mesmo a reconhecer a minha firma.

Sei lá eu se no cartório alguém vai me dizer que a seqüência de letras que forma o meu nome está errada...


:: Postado Por Nel Meirelles :: 3:45 PM.:.

Segunda-feira, Abril 25, 2005

postado ao som de cigarras em outono

lenda sub urbana
árvores são castas
enquanto a poesia
não amadurece os sons


erudição
as formigas
se calam
diante de dicionários

mascam sonhos
de açúcar


gula
sou todo cru
e ainda assim
tua boca
não sossega


DICA CULTURAL
o bairro é o Leblon. o lugar é o Songbook Café, que fica na Rua Conde de Bernadotte, 26, loja 116. terças-feiras de música da melhor qualidade. e vale uma dica especial: se tiverem amigos compositores, poetas ou autores de pequenos sketches, apareçam por lá e levem os ditos pois é o espaço adequado. A idéia é esta : criar um público antenado com o inédito, com o que é autoral. E simultaneamente, conhecer quem no Rio está fazendo coisas legais e que não tem nem espaço nem mídia a reboque.


UM ANO
ia me esquecendo: o Fala Poética está completando hoje seu primeiro ano no ar. no dia 25 de abril do ano passado fiz o primeiro post aqui. eu havia tido um blog anteriormente, mas durou pouco tempo. não era o que eu queria. tirei do ar, reformulei minhas idéias, reescrevi alguns poemas e assim nasceu o Fala. nesse dia de hoje quero agradecer a todos os que me visitam e que gostam dos meus escritos. o meu sincero agradecimento pela força e pela paciência.


:: Postado Por Nel Meirelles :: 8:54 AM.:.

Quarta-feira, Abril 20, 2005

Meu amigo Manoel Carlos, de Agreste, me indicou para responder a uma entrevista sobre Literatura da Língua Portuguesa. Assim como ele, também não sou chegado a correntes, mas esta merece ser respondida e propagada. É uma maneira de conhecermos o gosto dos amigos no que diz respeito à leitura. Aí vão as minhas respostas:


Ex-Libris da Tugosfera

Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Um livro de Graciliano Ramos.

Já alguma vez ficaste apanhadinho(a) por um personagem de ficção?
Quando era menino, fiquei fascinado por Sandokan, personagem de Emílio Salgari.

Qual foi o último livro que compraste?
Poesia Reunida, volumes I e II, de Affonso Romano de Santanna

Qual o último livro que leste?
O Livro das Ignorãças, de Manoel de Barros

Que livros estás a ler?
Sangue de Romã, de Cida Sepúlveda (poetisa de grande valor e amiga); Meus Poemas do Século XX, de Luiz de Aquino.

Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
60 anos de poesia, do Quintana; alguma coisa de Machado de Assis (gosto dos clássicos); 1984, do Orwell; Montanhas da Mente, de Robert McFarlene e O Brasil de Rosa, de Luiz Roncari

A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e por quê?
Depois de muito pensar, escolhi as seguintes pessoas, porque gosto do que escrevem:

Adélia Theresa Campos, de Oceanos e Desertos
Lucas de Meira, de Pré-Renúncia do Paralelepípedo Rebelde
Barbant, de Poligrafia


Piruetas
Ano passado fui convidado a escrever uma coluna para o site Poemias. Podia escrever sobre o que quisesse, o que me deu a liberdade de exercer uma coisa rara em mim: a crônica. Daquela época guardei um escrito que julgo oportuno reproduzir aqui.

Das piruetas das letras

Escrever. Todo mundo quer ser escritor, poeta, jornalista, dar seu pitaco na vida e mostrar a sua verdade.

Tem gente que escreve compulsivamente, junta palavras, amontoa advérbios, engoma uns verbos esquisitos, daqueles que a gente tem que ir ao dicionário para entender. E tome de publicar em sítios virtuais, e tome de enviar para os amigos. Uma fertilidade incrível. Já soube de um cidadão (poeta?) que escreveu 30 ( pasmem!), 30 poemas em um dia!

Engraçado. Eu não consigo fazer assim. Meu processo de escrever é árduo, quase doloroso, eu diria.

Do instante da gestação até que eu considere um poema pronto para ver o mundo, muito trabalho é realizado. Eu podo, retalho, esculpo, mato verbos, aniquilo advérbios,
estrangulo pronomes sem cerimônia. E se o poema não fica como eu quero, sou capaz de deixá-lo de castigo em alguma gaveta por semanas, até que ele - faminto e desesperado - me peça para que eu o retome.

Cheguei a pensar que eu era meio descentrado. Mas descontraí quando soube que poetas de verdade, dos bons, daqueles que a gente tira o chapéu e joga nuvens de palmas quando eles passam, tinham um processo muito parecido com o meu.

Há quem diga que Drummond levava meses e até anos para considerar um poema pronto.

E eu fico feliz por saber deste fato. Porque me prova que escrever tem muito mais de transpiração do que de inspiração. O suor é tinta que se usa para tal proeza. E não estranhe você, meu vigésimo leitor, a palavra "proeza". É exatamente sobre isto que versa o ato de escrever.

Por isso, quando você encontrar um poema daqueles que espalham água no rosto, ou que levam a imaginação a ficar brilhando de tão bonito que é, aplauda o autor e o poema.

Um, o operário incansável. O outro, uma penca de sentimentos e idéias arrancadas a ferro e fogo do coração e do suor do primeiro.


:: Postado Por Nel Meirelles :: 9:37 AM.:.

Segunda-feira, Abril 18, 2005

postado ao som de Como diria Dylan, com Zé Geraldo

confissão
teus olhos nus
delatam
o nu
dos meus
olhos


corpo a corpo
teu corpo e meu corpo
desdobram os arco-íris
no horizonte das bocas

o que as línguas desenham
são parte dos pássaros
que partem de nós


noturnozinho de abril
nua ama
lua
crua cama
tua


:: Postado Por Nel Meirelles :: 10:35 AM.:.

Sexta-feira, Abril 15, 2005

postado ao som de The Sound of Silence, com Simon & Garfunkel

mens sana
martin luther king
foi
john kennedy
foi assassinado
john lennon
foi assassinado porque
chico mendes
foi assassinado porque pensou

che
dorothy
herzog
ghandi
pensaram

: liberdade pensa e morre


insônia
matilhas de poemas
uivam livremente
entre as luas
do meu amanhecer


dica cultural
você gosta de música popular brasileira? então não deixe de visitar o site da embaixada brasileira em londres, que traz uma visão essencial da mpb, sob a batuta de Ricardo Cravo Albim, que não carece de maiores apresentações. clique aqui.


:: Postado Por Nel Meirelles :: 2:43 PM.:.

Quarta-feira, Abril 13, 2005

postado ao som de Like a Rolling Stone, com Bob Dylan

temporal
o pingo
que pulsa
na poça
não pára
o infinito
da vida


prece
pai
afasta os
tentáculos
que esmagam
meus impassíveis
testículos

bicicletas
são impossíveis
em Jerusalém


dica cultural
a dica de hoje é de um espaço que transcende o físico. um lugar onde a cultura é o mote, onde sempre aprendo mais e que recomendo sem titubear. basta clicar aqui: Balaio Vermelho.


:: Postado Por Nel Meirelles :: 11:10 AM.:.

Segunda-feira, Abril 11, 2005

postado so som de Contos da Lua Vaga, com Beto Guedes

de balaios agrestes
mais um poeminha meu cai no Balaio Vermelho, do meu amigo Moacy Cirne. e o Balaio vai espalhando cultura, poesia e música pelos caminhos da Internet. Obrigado, Moacy!
Vale a pena ler o Agreste, do meu conterrâneo e amigo Manoel Carlos, e descobrir com quantos Bandeiras se faz uma canção.


fiat lux
o vento rasga
as tardes do verão
germinando luz
das sementes
de escuridão


pó & cia.
a poesia
é mais
que amor
:teima em ser
o que
desmente
de mundo


calix
a gaivota
desenha no meio
do horizonte
o til do não

no sim das montanhas
dormem os pontos
de interrogação


:: Postado Por Nel Meirelles :: 8:54 AM.:.

Terça-feira, Abril 05, 2005

postado ao som de Fadas, com Luiz Melodia

de gnomos e querubins
por onde andará nel meirelles?
em meio à tempestade da manhã
largou seu tambor na grama
e foi tocar guitarra nos ventos
nel sem mei nem relles
um místico meio reles
misto de charlatão e poeta
que deu de desandar na vida

ele que despenteou a vaidade
e quietou-se nos varais
foi cantar fado em lisboa
ou dançar xote na lapa
entre arcos e cordas
de violinos alvoroçados

por onde andará o
que partindo emudeceu
os sons e sonhos do cansaço?


:: Postado Por Nel Meirelles :: 11:07 AM.:.

Sexta-feira, Abril 01, 2005

postado ao som de Valsa Brasileira, com Chico Buarque

querência
não passo de um pacato
lavrador de palavras
: colho ânsia
de saltar dos olhos
e florescer poemas


autofagia
duas feras
me habitam
o silêncio

: uma rosna impune
e me devora a alma
a outra me morde
e me alimenta
de luz a poesia


:: Postado Por Nel Meirelles :: 1:44 PM.:.