postado ao som de Estrela Partida, com Paulo César Pinheiro
pileque
a taça
adormecida
nas veias
o verbo
banido
da boca
o lanho da faca
é o suborno
da ferida
a língua seca
é a mortalha
em vida
reencarnação
vou arrastando
a saliva
nos olhos
tuas fontes
são o ponto
por onde cruzo
incólume
a morte pequena
impotente demais
para nascer
AGRADECIMENTO
o coração e o ego ficam inflados quando um intelectual do porte de Manoel Carlos, de
Agreste, diz coisas sobre mim como o que está abaixo. Claro que estas palavras são muito mais frutos da generosidade dele do que de qualquer merecimento meu. Mas de qualquer forma, alegra mesmo. Mesmo não me achando lá essas coisas não.
Nel Meirelles de Fala poética
Em geral os poetas vivem no mundo da lua, mas no caso de Nel, um dos principais poetas da blogosfera, isto não é força de expressão, pois ele vive no ar entre Rio, São Paulo e Brasília, ainda assim, quanto realismo em seus versos! Vivendo num avião, o que ele tanto lê?
Publicou suas respostas em 20 de abril.
DICA
um bom programa que recomendo: o projeto
CONHEÇA O RIO A PÉ, do curso de Turismo da UniverCidade e Riotur. Totalmente gratuito, aceita inscrições para os passeios pelo telefone 3113-1920 ramal 205 (o pessoal que atende é super gentil) e pelo e-mail acadetur@UniverCidade.edu.
Alguns passeios agendados:
Maio
28/05 - Paquetá
Encontro: Estação das Barcas em Paquetá
Junho
11/06 - Floresta da Tijuca
Encontro: Praça Afonso Viseu - Alto da Boa Vista
25/06 - Centro Histórico
Encontro: Rua da Assembléia, 10.
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Nel Meirelles
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11:12 AM.:.
postado ao som de Lonely Woman, com Ornette Coleman
partes e partidas
parte de mim
voz
parte de mim
carrasco
parte de mim
nós
parte de mim
asco
parte de mim
algoz
parte de mim
fiasco
radiografia para sax e contrabaixo
minha carne
meu sangue latindo
no eclipse
da guitarra
tempo e
apocalipse
: a boca da estrada
morde o cão
voraz e jazz
TRAÇAS E TRAÇOS
posso dar a volta na sala sem pressa e destoar das cortinas verdes que cegam a janela. posso comer do pó e provar das traças empoeiradas que circulam por entre as avenidas escuras. posso fazer o que quiser, desde que seja começo. posso levar e lavar meus pés em qualquer água morna e escrever poemas fantasmas. posso ser bicicleta de escurecer e corredeira de estancar pêlos. posso sim. não quero. me contorno com o dedo e percebo que somente tua boca é o canto de deitar meus olhos todas as manhãs. me contento em pensar que o destino é exatamente este: ser destino.
DICA
como não poderia deixar de ser : daqui a três dias começa a
Bienal do Livro do Rio de Janeiro, no Riocentro.(de 12 a 22 de maio).
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Nel Meirelles
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1:55 PM.:.
Sexta-feira, Maio 06, 2005
postado ao som de Caminito, com Gardel
ofertório da saudade anunciada
esvai-se o tempo
abrindo o tampo
de tudo de tanto
que tento nas noites
escrever de fugaz
que escorre da cana
que quebra na cama
que doido se trai
que muda de uma
pra outra estação
que cobre o rosto
descobre que posto
que a vida que rouba
o rosto que morde
não fala não fala
no mudo ouvido
e todo sentido
que pode nascer
da porta aberta
que aperta o nome
do que nunca se soube
se houve ou se há
amarga a língua
seca a tragada
tango samba balada
a boca velada
a vela apagada
a luz que acende
sem meias verdades
sandálias descalças
vestindo saudades
nos meus olhos teus
POSTO QUE
um post é um post e é um post e é um post não tem princípio não tem fim cravado na retina penetra as entranhas costura o alinhavo do pretérito incoerente da sua existência um post é bando de letras trancadas abertas um punhado de tudo suando em coro eu existo eu existo eu existo eu existo
EU
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Nel Meirelles
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10:28 AM.:.
Quarta-feira, Maio 04, 2005
postado ao som de A Sailboat in the Moonlight, com Billie Holiday & Her Orchestra
em preto e branco e preto
velha lapa, casablanca decadente das santas putas baratas do rio, mistura de sonhos e cachaça rangendo nos copos de cristal falsificado; onde as mãos inconseqüentemente ousadas dos bêbados exploram as coxas flácidas das mulheres tão amareladas quanto os dedos manchados de nicotina.
fade in
cena 1
a mão ata os dedos
no prazo da prece
que precede os nós
desandados na vodka
cena 2
tem tom de angústia
na pressa presa
do violão bêbado
de colcheias
quando o corpo
tala o travesseirizonte
cena 3
o botequim boceja
madrugada
a cerveja espia
na minha carteira
a nota falsa de 50
que escrevi de manhã
fade out
the end
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Nel Meirelles
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3:09 PM.:.
Terça-feira, Maio 03, 2005
postado ao som de Traduzir-se, com Raimundo Fagner
conseqüencia
lençol descoberto
dos cheiros dos poemas
escritos na pele
da noite
audácia
meu verso
bandido
assalta
sozinho
teu santo
ouvido
morbidez
olhos
de poesia
cravados
na tua miopia
sentença
- ai!
(tu gemes)
- ai!
(eu grito)
: réus confessos
de nosso
inconfessável
delito
cidadão
"tá vendo aquele edíficio, moço..." os versos da canção antiga me açoitam e me fazem perceber que sou cidadão de segunda, ainda. construo, cavo, escoro e não posso entrar no prédio que ajudo a levantar. sina de nordestino. fardo de menino. (me assassino).
NOTAS
- tenho encontrado - surpreso - por aí poemas e pedaços de poemas meus publicados em blogs e sites. não tenho nada contra isto, apenas gostaria que me fosse dado o devido crédito e citado o endereço do Fala.
- também tenho visto versos e frases minhas usadas aqui e ali. fico envaidecido, porque se me copiam deve ser porque meus escritos tem algum valor. mas que tal tentar criar em vez de copiar?
- a Globo.com me informa que devido a atualizações no sistema deles, os blogs hospedados no blogger.com.br estarão eventualmente indisponíveis entre os dias 6 a 8 de maio. Isto inclui o Fala, claro. O sistema voltará a funcionar normalmente a partir do dia 9 de maio.
- estou reformulando os links que publico aqui. pretendo em breve (e de certa forma usando a idéia do Manoel Carlos, de Agreste) justificar a indicação de cada um deles.
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Nel Meirelles
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10:58 AM.:.