postado ao som de Olhos Negros, com Diovvani Mendonça ( do cd Mandala Sonora)
poema da Cecilia, filha dos meus amigos Renato e Denise
caleidoscópio
desarmem os pirilampos
afundem os lampiões
em barris de sombras
que eu quero o silêncio
das cigarras
nas minhas veias
entorpecidas
quero moscas
bêbadas dançando
valsas nos pães-doces
das vitrines
quero zumbis zumbindo
e matraqueando
as odaliscas de Teerã
quero aiatolás
atolados em cores
de corões
e o riso desafinado
da menina faminta
que sorri ameixas
sem graça do alto
da saia surrada
nas manhãs de setembro
viola caipira
troquei a viola torta que estava guardada atrás da porta. não quero mais seis cordas e quatro dedos. preciso de mais música, de mais luz no meu despertar. preciso de caminhos semi-paralelos que me levem através de cada vento que sopre na tarde. preciso de grilos e mariposas que esbarrem nos meus quatro costados e me façam entender, definitivamente, o que significa a canção. cada rangido de dentes, cada rasgar de carne, cada sopro de vida deve ser bebido sem gelo, como no sonho que repassei ao piano.
CORRENTE MUSICAL
Com muito atraso, respondo a seguir as questões da corrente que me foi passada pelo amigo
Moacy Cirne, de
Balaio Vermelho. Encho uma taça, ligo o som e vou responder:
Quantos 'gigabytes' são usados por você com música?
Tenho um HD de 40 Gb quase que exclusivamente pra isso. Coleciono música como quem bebe cerveja.
Qual o último cd adquirido?
O lamento do Samba, de Paulo César Pinheiro. Tenho andado em uma fase sambista, ouvindo muito esse gênero.
Música tocando no momento?
Feitiço da Vila, de Noel, na interpretação de Martinho da Vila.
Cinco músicas que tenho escutado bastante:
- Nos últimos 30 dias:
Olhos Negros do CD Mandala Sonora, de Diovvani Mendonça
Estrela Partida, de Paulo cesar Pinheiro
Choro Negro, com a Oficina de Cordas de Pernambuco
Feitio de Oração, de Noel, com Elizeth Cardoso
Sapato Velho, com Claudio Nucci
- Nos últimos três dias:
A Nossa Casa, com Arlando Antunes
Citar pessoas para passar a corrente:
Gi Jardim, de O Fõlego dos Meninos e Outras Febres
Valéria Tarelho, de Textura
Ricardo Mainieri, de Mainieri´s
Simone, de Letras e Tempestades
Paula Cury, de Brinde Sulfúrico
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2:33 PM.:.
postado ao som de Sapato Velho, com Claudio Nucci
mudança
no canto da sala
a menina esconde
a poesia na mala
solidão
beijo aflito
a boca
do meu grito
olhar
meus olhos
têm a mania
de desnudar-me
a poesia
berimbau
a corda é tensa. acorda tensa. bate. solta. estica. canta. pula. treme. geme. grita. a corda é livre na prisão do arco.
dica cultural
mostra 'Nelson Rodrigues - 25 anos'
programação:
Teatro:
- Peça "Sete gatinhos", de 21 a 31 de julho, quinta e domingo, 19h; sexta e sábado às 20h.
-Peça "Anjo Negro", de 04 a 28 de agosto; quinta e domingo, às 19h; sexta e sábado, às 20h.
Projeção de filmes: durante as quartas-feiras do mês de agosto, a partir das 18h30m. Serão exibidos: "Perdoa-me por me traíres", "Bonitinha mas ordinária", "Toda nudez será castigada", "Boca de ouro" e "A dama do lotação.
Leitura Dramática: Durante as quartas-feiras de julho, às 18h30m, leitura dos contos de "A vida como ela é".
Local: Teatro Nelson Rodrigues - Conjunto Cultural da Caixa: Avenida Chile, 230 (Anexo), Centro. (21) 2262.5483. Lugares: 388. Classificação: 18 anos. Ingresso: R$ 15,00 (inteira); R$ 7,50 (estudantes e idosos).
Obs.: Entrada Franca para a projeção de filmes e as leituras dramáticas.
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12:13 PM.:.
Quarta-feira, Julho 20, 2005
postado ao som de A Volta, com Os Vips
da fertilização dos pássaros
quando esbarro em alguma nuvem perdida, sempre tenho as asas molhadas de saudade. a minha visão se prende unicamente ao que o meu horizonte esconde. não tenho pressa e nem tenho medo. a volta do vôo é inevitável porque no solo onde se planta a semente, os dentes que mordem marcam a pele. inexoravelmente.
viagem
um barco
arrasta
a paisagem
círculo
devoro tuas entranhas
na fúria dos meus
dedos loucos
perpetro um crime ou dois
no claro do teu ventre
e me aprisiono
na jaula do depois
poeminha voador
eram curvas gaivotas
espalhadas tortas
nos dedos da mão.
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2:32 PM.:.
Segunda-feira, Julho 18, 2005
postado ao som de Jura Secreta, com Lucinha Lins
caminhada
vou tatuar meu corpo
com cores de bem querer
e caminhar pelas ruelas
e travessas do teu corpo
despudoradamente
assombração
a sombra
do poema
assusta
meu olho fechado
- não esse -
quero outro
enferrujado
quero um outro
qualquer outro
qualquer um
poemágico
poemóvel
poemístico
poemeu
que seja
a cara
do que
sou eu
fera livre
pipoca
o pepino
na mão
audaz
do menino
SERENATA
ouvi a música pela décima vez. a voz me era familiar. os acordes, entretanto, soavam diferente. talvez as guitarras da lua estivessem enferrujadas pelas gotas de suor que escorriam dos olhos. talvez os violoncelos não estivessem acordados ainda. o que eu sei é que a voz entrava pela minha garganta, rasgando a glote. e quando adormeci, juro que pude ler na parede do quarto a partitura completa do meu querer.
NOTAS
-
Blocos Online traz na edição deste último fim de semana mais um poemeu. À minha amiga
Leila Miccolis deixo o meu agradecimento e meu beijo.
- recebi o CD do músico, compositor e cantor
Diovvani Mendonça.
Mandala Sonora é uma visão do mundo musical do artista, com suas sonoridades raras e suas letras densas, verdadeiros poemas. Vale a pena ouvir, e ouvir e ouvir... Para saber mais deste disco, visite o site do Diovvani, clicando
aqui. Diovanni, muito obrigado por sua gentileza.
- aos poucos vou colocando as coisas em dia, de forma desordenada e atrasada, como é meu jeito Nel de ser.
Sangue de Romã é o livro da poestisa
Cida Sepúlveda, que recebi gentilmente já há algum tempo. Cida transita ente o lirismo e o ácido, entre a doçura e a crueza da vida com uma facilidade invejável. seus poemas são daqueles que fazem a gente pensar. brevemente ela estará no
Telescópio.
- por falar em
Telescópio, há um novo post hoje por lá. trago a poetisa Virna Teixeira, cujo blog está devidamente linkado aqui no Fala Poética. vale a leitura atenta do poema e da obra da autora.
- não sei se é o tempo frio ou a chuva. acordei com saudade hoje. mais do que pensei que coubesse em mim. e nem faz tanto tempo assim desde a última vez que a taça foi bebida, mas parece que foi há uma eternidade e meia.
- loucura, verborragia, mania. não sei. arranco meus pedaços um a um e vou colando aqui e ali, como quem escreve uma história no muro.
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2:01 PM.:.
Quarta-feira, Julho 13, 2005
postado ao som de Something to live for, com Jane Monheit
previsão do tempo
um sopro de cigarras
murmura folhas secas
nos olhos da estrada
arrasto o meu pedaço
azul de infinito
até a ponta da língua
adoço minha boca
com o resto de sol
e mergulho no blues
da pele da lua
REFEIÇÃO
era perto daqui. mas não tão perto que o vento pudesse morder meus cabelos. perto apenas o suficiente para que a minha vontade não se exaurisse pelo ralo da pia da cozinha. caminhei no rastro do cinzeiro sujo. perplexo, percebi que na frente da casa a sombra solitária ensaiava passos de samba em medo. os ruídos do meu torpor misturavam-se ao batuque incessante das colheres nos pratos. chamei o garçon. pedi mais um copo de vida, mordi o canto da mesa e saí correndo sem pegar o conto, enfiado libidinosamente entre as pernas abertas da cadeira.
escultura
quero ser
uma pedra
parada
no canto
da estrada
sem voz
sem medo
sem pernas
sem nada
pequena história de luz
não sei dos amores
das estrelas
e desconheço
os sonhos de inverno
das árvores
ainda assim
quando o silêncio
ecoa nas minhas folhas
há palavras que
brilham em mim
DICA CULTURAL
Minha amiga
Suzana Jardim avisa que seu
PNOB número 22 será lançado no próximo dia 25, segunda-feira, no Miller e Goddard, no Brooklin, em sampa - claro. O endereço? Av. Morumbi 8163 entre a Santo Amaro e a Berrini. Estivesse eu na cidade certamente iria prestigiar essa iniciativa cultural de enormes bom gosto e criatividade. Enndereço eletrônico do PNOB:
http://www.pnob.com.br/
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5:21 PM.:.
Domingo, Julho 10, 2005
postado ao som de Chão de Giz, com Elba Ramalho
insônia
olho os lençóis empoeirados de meus cabelos. a luz ainda pisca me atordoando os dedos. o azul se encerra cuidadosamente por sob as libélulas cantadoras. fico adiando o instante de desligar meu push button e cair feito pedra em poça de água clara. tenho medo de acordar e ver que meu sonho foi tolo. tenho medo dos carneiros que atropelam as minhas barreiras. as moscas ainda zumbem indefinidamente na barriga. e teus olhos fechados me abrem as comportas do desejo.
copacabana
quando a chuva
te morde
copacabana
feito abelha africana
tua ferida purga mais
quando o vento
te sacode
copacabana
feito galho de cana
teu amargo aumenta mais
quando o frio
te aquece
copacabana
feito fogo de colheita
teu horror aumenta mais
quando eu olho
teu rosto desfigurado
copacabana
feito cachorro desvairado
teu latido aumenta mais
quando acaba
o meio da semana
copacabana
feito ponto de partida
tu não voltas nunca mais
NOTAS
- Poema da
Ana Peluso hoje no
Telescópio
- Amanhã artigo meu no
Opinião
- Quero agradecer aos amigos-irmãos da
Turma 67 - EPCAr pelo dia de ontem. Foi especialissimo reve-los, rir, brincar e relembrar sem saudosismo os bons momentos que vivemos na Escola. Meu abraço fraterno a todos.
- Domingo modorrento este, não? O Rio continua semi-frio, tem hora que o sol tenta aparecer, mas tem um raio de uma nuvem teimosa que fura a fila e entra na frente dele. E o friozinho prossegue. Vontade de ficar na cama, fazendo um nada do tudo que não tenho aqui.
- Agradecimento especial à
Leila Miccolis que tem me publicado frequentemente no seu
Blocos on Line. Amanhã tem mais um poemeu por lá.
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12:07 PM.:.
Quarta-feira, Julho 06, 2005
postado ao som de Walk Away, com Ben Harper
origami
ontem não olhei mais para a rua parada. todas as marcas deixadas pelos sapatos dos cães bêbados perderam-se na memória dos ônibus. nem sequer cheguei a provar da garapa amarga da distância. separei cuidadosamente cada pedaço de mim: os dedos, os olhos, a nuca, os pêlos do peito, embrulhei na pele já gasta e guardei na mala barata de imitação de couro. depois, tomei um carro que nem sabia por onde passava e segui rumo a um destino desconhecido. talvez esse meu peito largo onde minha canção ainda cabe.
noturno CXII
na primeira vez
que te comi
descobri estrelas
soltas na cama
depois vivi em
nossas galáxias
o infinito
que é teu gozo
brilhando em mim
estações
herdei dos meus invernos
esse olhar cinzento
de nuvens ocasionais
e se faço da poesia
o sentido inverso
daquilo que morro
pela vida afora
é porque o sol
de quando em vez
veste meus vazios
e me faz rir
da minha própria
insensatez
ancestral
sei que nasci no recife. isso lá pelos idos da minha mãe. mas não sei muito mais do que isso. depois, foram tantas as cidades, tantas as pessoas que me habitaram a voz que a manjedoura tornou-se um porto pequeno deitado na memória. uma referência ou uma querência, não sei bem dizer. sei que sinto ainda o tremor das entranhas dançando frevo nas velhas ladeiras de olinda. sei que me soam maracatus e sotaques de água de coco no peito. sei que devo voltar ao ponto futuro-passado das raízes e ver o capibaribe atravessando solene os espaços por debaixo das velhas pontes. sei que existe algo de mim costurado em algum casario . e um dia vou atravessar de barco toda essa distância e mergulhar na minha história.
dica cultural
Jeanette MacDonald, de 'A viúva alegre', ganha mostra no CCBB
Nos anos 30 e 40 uma ruiva com fascinantes olhos azuis encantava as platéias com a sua beleza, simpatia e versatilidade como atriz, cantora e dançarina: Jeanette MacDonald. Esta musa das telas e do palco que ficou na história dos grandes musicais, recebe em julho uma justíssima homenagem do Centro Cultural Banco do Brasil na mostra A Inesquecível Jeanette MacDonald. A curadoria é de Júlio César de Miranda (Polytheama).
Aberto ao público, o evento acontece às terças-feiras (5, 12, 19 e 26 de julho) em sessões às 12h30m e às 18h30m no telão da sala 26 (4º andar) com os filmes "Ama-me esta noite", "Oh, Marietta!", "A Viúva Alegre" e "Rose Marie", estrelados por Jeanette MacDonald com grande elenco e super produções. As senhas são distribuídas meia hora antes na bilheteria do CCBB.
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9:56 AM.:.
Segunda-feira, Julho 04, 2005
postado ao som de Tudo em Você, com Beto Guedes
inverno
os morangos
envergonhados
do frio da geada
invejavam o fogo
lentamente arrulhando
no fogão de lenha
o choro da minha irmã
decisão
poesia é laço
passado e presente
deitam no futuro
e se não houver palavra
que desarme a cama
: eu faço
polifônico poliglota
ao sul
do fim do day
the soul
espera a hora
do stay
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10:28 AM.:.
Sexta-feira, Julho 01, 2005
postado ao som de Garganta, com Ana carolina
opressão
o meu desejo
deságua
nos teus seios
rendidos ao jogo
das minhas mãos
: dados
rolando nos dedos
desenho
a cedilha
dedilha curvas
nas notas tortas
do violão
paisagem vista da noite
o vento rosna faminto
sobre os trigais
insones da noite
nem a madrugada
descansa
: passeia desmaiada
por trilhas azuis
RESUMO
não há vento que sopre que me faça andar de lado. vou e volto sempre, porque assim sou feliz. não consigo imaginar a sombra dos arcos da lapa sem a sombra do sol amarelo e sem o hálito das tardes quentes. por isso, mesmo quando outras praças e ventos cantam, não me deixo atordoar e persisto na minha trilha sonora. o riso é que me impele e o azul do céu é o que me protege.
DICA CULTURAL
Com um ditado na mão e bom humor na cabeça, um grupo de alunos da USP resolveu criar uma alternativa à Festa Literária Internacional de Parati. Quem não tem Flip resolve com... Flap, pensaram.
O resultado pode ser conferido no dia 16 de julho, no Espaço Satyros, quando professores, escritores e críticos estarão reunidos em torno de quatro mesas-redondas, com "mais ou menos" quatro participantes cada uma. O mote: ser um contraponto à Flip, aberto ao público e mais barato. Na verdade, de graça.
FLAP!
Dia 16 de julho de 2005, sábado
Espaço dos Satyros - Pça. Roosevelt, 214
Site: http://www.geocities.com/flapliteraria
Organização:
- Academia de Letras (Faculdade de Direito ¿ USP)
- Revista Metamorfose (FFLCH - USP)
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1:15 AM.:.