postado ao som de Chorando no Campo, com Lobão
moto perpétuo
que haja sempre
um dia e mais
outro dia
onde eu possa
reviver-me
no hálito azul
da poesia
matutino
desperta e traz tua boca
pra dentro da minha boca
esmaga minhas coxas
com a pressa das tuas coxas
espreme meu desejo
com a premência do teu desejo
me vive com a ânsia
de quem ainda não viveu
paz
eu mergulhava tão fundo nas águas mornas que minhas pernas não tocavam jamais a borda do sol. a areia clara deitava sonhos nos pêlos do meu peito com ar de moça-querendo-beijo. haviam algumas garças esparças compondo a paisagem da manhã. o ar de tão claro espelhava o brilho dos meus olhos. foi assim que a lua me encontrou, quando veio espiar a festa da casa do vizinho. e eu sorri.
NOTAS
CULTURAIS
.Jardim Botãnico
Não é somente a nossa flora exuberante a principal atração do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Existem ateliês que sempre abrem as portas ao público em junho, durante o Circuito das Artes. Isso não significa, entretanto, que devam ser esquecidos no resto do tempo. Sempre no primeiro fim de semana do mês acontece um minicircuito batizado de Ateliês Abertos no Jardim Botânico. A estréia acontece hoje, dia 06 de Agosto e amanhã, domingo 07 de agosto. Vale a pena e visitar e de quebra aproveitar a paisagem do JB.
.Exposição
Na terça dia 9, um bom programa é visitar a exposição
Visões, que vai ser inaugurada, às 19h, na Mínima Galeria (Marquês de São Vicente 189). São desenhistas, fotógrafos e artistas plásticos, todos mostrando suas criações.
OUTRAS
- um poemeu foi parar no flog da minha amiga
Vera Lúcia. Basta clicar
aqui . A ela o meu obrigado.
- Recebi da minha amiga
Denise Teixeira Viana o folheto
Leiamigos, que é enviado por correio para diversas pessoas. Neste número mais recente a Denise publica alguns poemeus, para minha alegria. Meu beijo e meu muito obrigado, Denise.
- o Rio de Janeiro continua sendo. E será sempre.
:: Postado Por
Nel Meirelles
::
1:20 PM.:.
postado ao som de A Nossa Casa, com Arnaldo Antunes
fertilidade
depois da chuva
brotam poemas
entre
os paralelepídedos
e as calçadas
grilos
pego o violino
toco, desafino
o grilo não
: é mestre
da canção
nascer na freguesia
era ainda manhãzinha
perdida nos braços
da noite
e o barquinho já corria
arisco pelo rastro
do sol nascente
motivos
não me faz mais sentido escrever pedras e gatilhos. troquei todas as teclas e telas da minha mão. escrevo porque sem a poesia não há junção de terra e céu e se perde o horizonte no meio do jardim. escrevo porque há um turbilhão de palavras nos meus olhos. escrevo porque também tenho o direito de ficar preso no elevador e sentir medo. escrevo, enfim, porque sou um composto químico que resulta nesta carne movida a palavras e nostalgia.
notas
- ontem à noite, em meio à febre e aos lençóis, precisei do calor do teu corpo.
- como pode um peixe voar? pássaros mergulham, cigarras são acesas. eu fico aqui, olhando a vida pela janela e tentando entender o que sou.
- poesia e política, politicopoesia, poesilítica. combina? acho que não. me corto em dois e separo a indignação da poesia. e olho com desdém pras quem se deixa poluir pelas benesses do poder.
- violência pra valer, de todas as formas e tipos. mesmo assim, o Rio ainda é a capital cultural do Brasil. e nem adianta chorar ou reclamar.
:: Postado Por
Nel Meirelles
::
10:17 AM.:.
Segunda-feira, Agosto 01, 2005
postado ao som de Casa da Lua Cheia, com Claudio Nucci
enchente
derramo palavras
onde o sonho
persiste
traço rumos
na solidão
porque a poesia
existe
traineira
não sabia mais o que era a verdade ou o que era a estrada. olhava e enxergava a falta da luminosidade que tanto o fizera ouvir pardais. ainda assim, colocava o barco para ranger seu velho casco e partia. cada onda molhava sua pele e o sal adornava a vontade enorme de ser. não importava se os peixes haviam faltado à festa. queria era adormecer de novo e acordar poema.
comme il faut
há dias em que
meus olhos
são secos
como as peles das
mariposas
que adormecem
nos becos
opção
se a poesia demora
um tanto de horizonte
no fim do dia
se minha mão
não descasca versos
nas barrancas dos rios
se morrem as gaivotas
entre as areias dos baixios
prefiro o silêncio
a gritar palavras tortas
NOTAS
- minha amiga
Denise Teixeira Viana me deu o prazer de publicar alguns poemeus no seu
site. a ela o meu agradecimento e o meu beijo.
- ao pessoal que mora na Ilha do Governador: toda última quarta-feira do mês acontece uma noite de poesias no restaurante
Gruta da Ilha. vale a pena comparecer.
- ainda não descobri o mistério das moscas. zumbem sem parar até morrer. seria vontade de dançar uma polca com carlitos? ou simplesmente porque é a missão delas neste mundo? zumbir, zumbir e zumbir?
- segunda-feira. ouço da minha janela os gritos e chilreios das camisas brancas voltando às escolas. é bom estar vivo e aprender sempre.
- gosto de balas de hortelã enquanto escrevo. gosto do gosto da tua boca quando te amo.
:: Postado Por
Nel Meirelles
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12:50 PM.:.