Nel Meirelles por
Nel Meirelles. Nascido em Pernambuco, criado pelo mundo afora. Esse sou eu. O resultado exato do que vivi.

fiz do ato de escrever a ponta do meu iceberguezinho particular. descasco as palavras sem piedade. cavo e recavo e revolvo a poesia que vejo nas coisas e faço dela não a inquietude ou o caos, mas a ordenação do meu próprio ato de viver.

dimensão

nos meus espaços finitos

convivem infinitos espaços


Telescópio - Nel Meirelles


Aliás - Revista de Cultura - Elaine Pauvolid
Blocos Online - Leila Miccolis
PD Literatura - Asta Vozondas






Segunda-feira, Dezembro 26, 2005

postado ao som de A Lua e Eu, com Cassiano

manual de literatura
os surdo-cegos
os escroques
os manetas
teorizam sobre
a poesia.

eu apenas a sinto


contagem regressiva
passou
o vinte e cinco
agora virá o trinta e um
e eu sentado
rindo
esperando
o cinquenta e sete


almoço
mastigar o mundo
e comer sorrisos
com creme

é o que se espera
de um poeta
faminto


céu nublado, sujeito a chuvas esparsas
acordei com saudades do futuro. apenas olhei pela janela e vi que ainda restavam raios de noite por entre o brilho opaco do sol. buganvílias banhavam-se no resto de chuva. os pássaros não deixaram a preguiça de lado pra me contar os segredos das estrelas. levantei, tomei café e continuo sonhando.


há um ano atrás...

catálogo
dois olhos
um poema perdido na mesa
uma boca que fala
dois braços
amplos
duas pernas
que correm ainda
estômago pra
aguentar o tranco
um coração bêbado
de amor
joelhos
que não se dobram
alma de menino
cara de brasileiro
mediano
e uma fome imensa
de beleza azul


:: Postado Por Nel Meirelles :: 9:18 AM.:.

Terça-feira, Dezembro 20, 2005

postado ao som de Reza, com Flora Purim

trigo e pão
me replanto em cada manhã
que invento e despejo
pelos cantos dos olhos

me refaço pelas esquinas
dos versos que
trago nas pastagens
dos pêlos do meu peito

solto as minhas feras mansas
em sons de estrelas
e doses de gargantas
estremecidas de sonhos


desbravador
já desdobrei estradas
e arrulhei arcos-íris
nas tantas madrugadas
que deixei abertas abertas
pelas noites

sei muito mais onde habito
do que os meus olhos turvos
podem arrastar pelas
manhãs de inverno


fala emudecida
saibam todos os que quiserem saber: a minha fala não pára. emudece de quando em vez, levada pelas ondas arredias do mar que desvejo pela janela, mas morrer não. a fala é o ponto de chegada e o início do pedaço de caos que se instalou em mim, desde que o primeiro verso doido pulou da minha boca e sorveu o ar frio das manhãs de julho. minha fala é perene, como as gaiolas que abrigam os sonhos dos homens.

:: Postado Por Nel Meirelles :: 12:10 PM.:.

Quinta-feira, Dezembro 01, 2005

postado ao som de Moça Bonita, com Geraldo Azevedo

corredeira
neste rio que corre
solto e livre
dentro de mim
as larvas deleitam-se
com poemas intermináveis
de reflexos da lua


noturno XXXIV
sem sono e sem sonho. travesseiros trancafiam minhas horas tardias enquanto eu tento ordenar as palavras e seus sons. cada uma delas é um mundo divergente. cada uma delas me assalta e me esfaqueia enquanto penso. morro e morro de novo na ausência sonora da luz. e o poema é fruto da mitose dessas palavras-pontes.


flash
teus olhos
pirilamparam
nos meus olhos
cravando em mim
o reflexo
do amor


sensual
a língua
da chuva
lambe
a carne da terra
no cio
deixando cheiro
de tesão nas folhas

:: Postado Por Nel Meirelles :: 4:34 PM.:.