postado ao som de Reza, com Flora Purim
trigo e pão
me replanto em cada manhã
que invento e despejo
pelos cantos dos olhos
me refaço pelas esquinas
dos versos que
trago nas pastagens
dos pêlos do meu peito
solto as minhas feras mansas
em sons de estrelas
e doses de gargantas
estremecidas de sonhos
desbravador
já desdobrei estradas
e arrulhei arcos-íris
nas tantas madrugadas
que deixei abertas abertas
pelas noites
sei muito mais onde habito
do que os meus olhos turvos
podem arrastar pelas
manhãs de inverno
fala emudecida
saibam todos os que quiserem saber: a minha fala não pára. emudece de quando em vez, levada pelas ondas arredias do mar que desvejo pela janela, mas morrer não. a fala é o ponto de chegada e o início do pedaço de caos que se instalou em mim, desde que o primeiro verso doido pulou da minha boca e sorveu o ar frio das manhãs de julho. minha fala é perene, como as gaiolas que abrigam os sonhos dos homens.
:: Postado Por
Nel Meirelles
::
12:10 PM.:.
postado ao som de Moça Bonita, com Geraldo Azevedo
corredeira
neste rio que corre
solto e livre
dentro de mim
as larvas deleitam-se
com poemas intermináveis
de reflexos da lua
noturno XXXIV
sem sono e sem sonho. travesseiros trancafiam minhas horas tardias enquanto eu tento ordenar as palavras e seus sons. cada uma delas é um mundo divergente. cada uma delas me assalta e me esfaqueia enquanto penso. morro e morro de novo na ausência sonora da luz. e o poema é fruto da mitose dessas palavras-pontes.
flash
teus olhos
pirilamparam
nos meus olhos
cravando em mim
o reflexo
do amor
sensual
a língua
da chuva
lambe
a carne da terra
no cio
deixando cheiro
de tesão nas folhas
:: Postado Por
Nel Meirelles
::
4:34 PM.:.