postado ao som de Odeon, com Toquinho e Paulinho Nogueira
travessia
em frente, o mar agitava-se em estertores de anoitecer. nem mesmo a lua conseguia abafar os ruídos e os esgares. um pouco mais além haviam luzes correndo por sobre o rio cinzento. muitas. eu, parado no meio, olhava assustado sem entender-direito-sem-saber se era preciso molhar o mar ou espetar os pirilampos com os dedos. na dúvida, deixei-me ficar estático, esperando outra chance de brilhar na imensidão.
solo
seis vezes
seis planos
seis morros
seis luas
seis cordas
minhas bordas
tua mão
teus olhos
meus azuis
teu tom
minha canção
tua voz
meu violão
café com pão de queijo
(para Diovvani Mendonça e Válber Meirelles)
um arrasta as costas
nas montanhas das minas
tão gerais quando alterosas
o outro capina café em rios
e caminhos de pretas pedras
imaculadas de sua negritude
dois poetas e seus violões
escavando noites e canções
há dois anos atrás:
dualidade
vivo entre os versos que escrevo
e as notas da canção
que se espalha
com o vento morno da tarde,
como luz de luar se banhando
nas águas da Baia da Guanabara
vista do Aterro do Flamengo
quando vagueio pela madrugada
no meu carro ouvindo Caetano.
vivo entre sonhos e verdades,
entre nuvens esparsas
que pairam sobre esse meu céu particular,
esse pedacinho mesmo que fica aqui,
em cima da minha casa,
e que visito todos os dias
por entre os ramos
da mangueira carregada
de frutas e de sonhos.
vivo entre o rubro do meu peito
e o negro da noite,
compondo o rubro-negro
da minha paixão de bola.
vivo entre ser ou não ser
poeta e músico,
entre cantar uma canção nova
ou reentoar aquela do Beto Guedes
que ilumina os rios de Lumiar.
vivo intensamente cada instante de luz
e amo plenamente cada estrela
das minhas madrugadas insones.
vivo. renasço.
morro. cresço.
esqueço. reaprendo.
sou dualidade perene.
assim. solene.
:: Postado Por
Nel Meirelles
::
11:49 AM.:.
postado ao som de Cantador, com Válber Meireles
convicção
para cada aurora
que se desfaça em manhã
haverá sempre
um sopro de vida
latejando no pulso
paisagem
eram duas pedras pretas
deitadas indolentes
na curva do rio
eram duas pedras pretas
bebendo do sol
na manhã de frio
opinião
mais uma discussão sobre o que é ou o que não é poesia. quer saber? poesia é tudo que pode ser poesia. e ponto final.
saudade
tenho sentido
a ausência das
formigas vermelhas
no armário da cozinha
teriam morrido
ou desistido
de virarem poemas?
nota
dia 02 de maio estive em Itaperuna, no evento Café, Música e Poesia, organizado pela Luciana Pessanha Pires, professora, poeta e membro da Academia Itaperunense de Letras. Estava tudo super bem feito, os convidados foram recebidos com muita fidalguia. Agradeço à Luciana pelo convite e faço pública a minha satisfação por ter feito parte da seleta lista de convidados.
:: Postado Por
Nel Meirelles
::
11:04 AM.:.