Nel Meirelles por
Nel Meirelles. Nascido em Pernambuco, criado pelo mundo afora. Esse sou eu. O resultado exato do que vivi.

fiz do ato de escrever a ponta do meu iceberguezinho particular. descasco as palavras sem piedade. cavo e recavo e revolvo a poesia que vejo nas coisas e faço dela não a inquietude ou o caos, mas a ordenação do meu próprio ato de viver.

dimensão

nos meus espaços finitos

convivem infinitos espaços


Telescópio - Nel Meirelles


Aliás - Revista de Cultura - Elaine Pauvolid
Blocos Online - Leila Miccolis
PD Literatura - Asta Vozondas






Quarta-feira, Junho 28, 2006

postado ao som de Blue Velvet, com Brenda Lee

dúvida
não sei mais
o que o ruído
da noite quer mostrar

prefiro encostar-me
nas aparas do silêncio
e viver as estrelas


filme de terror
o medo que me
segreda ao ouvido
é mais faminto
do que a fome
das formigas tontas
que ainda perambulam
pelo meu quarto


de poetas, poemas e leituras
meus amigos poetas
me aprontam
pedaços de poemas
que engasto nos olhos
e guardo nos dedos


:: Postado Por Nel Meirelles :: 2:06 PM.:.

Terça-feira, Junho 20, 2006

postado ao som de Cajuína, com Elba Ramalho

valsinha
quando me entristeço
demito anjos e querubins
espalho penas e asas
por sobre as estrelas
e me afasto de mim


mendigo
preciso aprender
os sons das estrelas
e os gritos do mar

preciso aprender
o múrmurio do sonho
e o sopro da tarde

preciso que a voz
não se cale em mim
e que a poesia
continue na estrada


cumplicidade
minha língua
serpenteia
em tuas umidades

minha mão
encurrala
teu desaguar

sou surdo
dos teus gritos
e aconteço depois


nota: mais poemas traduzidos para o italiano pela Rosella, de Diario di Bottega:

inondazione II
oggi un fiume
è accaduto
tra i miei alberi

erano così tante acque
che i passeri
pizzicavano stelle

nel frattempo
io bagnavo i piedi
sul bordo dello specchio


rivoluzione urbana
farò sciogliere
asfalti
e demolire
cementi
con due versi
e una chitarra

quello che voglio sono
grilli
uccelli
pipistrelli
e lumache
nei miei poemi
prima che si mescolino
con le pareti
stupide della città
e mi lascino solo.


big-bang
poesia
è quando l'universo
si mischia con le parole
degli imperfetti uomini


:: Postado Por Nel Meirelles :: 9:52 AM.:.

Quarta-feira, Junho 14, 2006

postado ao som de Cecilia, com Simon e Garfunkel

lição de casa
posso entender as dores
posso saber dos ventos soltos
e dos ocasos agressivos

posso conhecer o canto
dos anjos bêbados da madrugada
e a voz rouca dos cães em serenata

posso saber isso tudo
conhecer isso tudo
e ainda assim
me desconhecer


férias
sei que a poesia
viajou
pegou um trem-doido-qualquer
e se foi
pro japão
pra shangrilá
pra adis-abeba
e sei lá eu pra onde mais

levou virgulas
pontos
exclamações
pedaços do sono
e as minhas
interrogações


Cecília
(para Cecilia, filha do meu amigo Renato e que vai completar um aninho em breve)

quando ela espalha
o sorriso no rosto
e chama com os olhos
o mundo pára e fica
uma felicidade só


nota
A minha amiga Angela Lara, de Porto Alegre, me presenteou com um e-book. Achei interessante a idéia do livro eletrônico e agradeço a ela pelo carinho e pela gentileza. Para ver e baixar o livro, o endereço é http://www.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=173142.


:: Postado Por Nel Meirelles :: 9:05 AM.:.

Quarta-feira, Junho 07, 2006

postado ao som de Tango del Angel, com Astor Piazzola

noite-dia-noite
sou ladrão
das madrugadas
que trama estrelas-sonhos

sou ladrão que
no silêncio
esconde estradas

sou ladrão
que no acalanto do dia
devolve o que roubou
redimido em poesia


simbiose
toma toda essa alegria
que nem a manhã consegue
arrancar de mim

toma toda essa alegria
e faz dela a parte serena
da tua propria alegria


geração
um poetamineiro
me ensinou
que pedras
nascem nos ninhos
e aquecem seus
ovos sob árvores de poemas

mineiros sabem tudo
de pedras, árvores
e poesia


greve
não sei bem o que aconteceu. todos os poemas-pássaros deixaram suas árvores e foram banhar-se no mar. fiquei espiando em vão para as copas e nada de poema. então me voltei para os pios da areia e também lá os poemas não habitavam. desconfio que pássaros não fazem poemas quando estão na praia.


:: Postado Por Nel Meirelles :: 7:53 AM.:.

Sábado, Junho 03, 2006

postado ao som de Pra Ser Sincero, com Marisa Monte

líquido
de quantos espelhos
se faz um sorriso?
de quantos sorrisos
se faz um poema?


para ser feliz
cansei-me de poemas longos, estradas intermináveis e noites idem. preciso encurtar distâncias, crescer as pernas e transformar meu olhar em facho de luz. preciso urgentemente deixar de refazer sonhos e construir pedras. preciso urgentemente voar sóis e renascer oceanos.


purificação
somos alguma coisa
que não é santa
ou impura

somos um retrato
de amor que mancha
mas não suja


pesadelo
cato pulgas
no travesseiro
enquanto a noite
derrama grilos
na minha cabeça


notas -

a) Moacy Cirne, do Balaio Vermelho, publicou recentemente meu poeminha diário por lá.
b) Também a Leila Miccolis me deu o prazer de publicar no seu Blocos o meu poema girassóis.
c) Importante também ter tido alguns poemas publicados no PD, da Asta Vozondas, na edição de Junho.
d) Clauky Saba, do Arte em Toda Parte, fez um belo poema inspirado nas minhas formigas e publicou no seu blog.
e) Maria Cláudia, de Registros, esreveu um belo texto tendo por mote meu poeminha vampiro, está lá no blog dela. foi uma experiência nova pra mim, e muito gratificante.

a todos estes amigos os meus sinceros agradecimentos.


:: Postado Por Nel Meirelles :: 10:50 AM.:.